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sábado, 16 de fevereiro de 2013

LEITO DE ÁGUAS CLARAS




LEITO DE ÁGUAS CLARAS
Ysolda Cabral 


Quando o Sol deitar,
A Lua mais bela que nunca chegará.
Cheia de uma imensa saudade,
Pronta para amar.

O Mar com prazer,
O seu leito doará.
Não há o que temer,
Pode acreditar!

E nas águas quentes se banha,
Preparando-se para a noite de amor.
Sem pressa repõe as energias,
Que a vida lhe tirou.

Então, quando ela chegar,
Estará pronto para sorrir e amar.
Depois dormirão juntos,
E um novo amanhecer ressurgirá.

E é assim,
Do amor entre o Sol e a Lua,
Que a vida se renova,
No leito de águas claras do Mar.


FLOR DA SAUDADE



FLOR DA SAUDADE
Ysolda Cabral 


Transbordando de amor e de paixão
Despi-me de todos os tabus
E sob a luz do luar
Para você me expus.

Vestida de juventude
Pura, verdadeira
E em total liberdade
Roguei-lhe o primeiro beijo...

Você pego de surpresa
Repleto de amor
Paralisado de desejo pensou:
Meu Deus! A garota que amo, endoidou.

Vencendo o perplexo
Firme e carinhosamente me enlaça
Abraça-me forte e me faz sua
Apenas com um beijo a luz da lua.

Beijo intenso e apaixonado
Dado com  alma que nos  marca
E nos liga na separação de nossas vidas
Com a delicadeza de uma flor
A flor de uma imensa saudade.

*********
Recanto das Letras em 16/02/2013
Código do texto: T4143771
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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

SEI QUE SOU



SEI QUE SOU
Ysolda Cabral


Se eu fosse escultora
Não queria trabalhar com argila
Nem com nenhuma matéria prima
Que não fosse colhida
De dentro de minha alma
Quando ela está sentida

Se eu pintasse um quadro
Queria que sua tinta escorresse
Para que os meus melhores sentimentos
Nele não ficasse e assim
Pelo mundo se espalhasse

Se eu fosse um pássaro
Jamais voaria baixo
A não ser quando tivesse fome
Então mergulharia num vôo rasante
Para aplacar, inclusive, minha sede
Que chega a ser dissonante

Ah! Se eu fosse o Sol
Estaria sempre entre o Nascer
E o seu Pôr...
Sem me opor a nenhum estado
Que ele quisesse permanecer.

E se eu fosse a Lua
Ficaria sempre à disposição
Dos poetas e dos enamorados
Para que esses me dedicassem
Sempre lindas homenagens

Mas, como nada disso sou
E nem mesmo sei quem sou
Vou continuar pensando ser
Apenas Ysolda.

**********

Enviado por Ysolda Cabral em 14/02/2013
Código do texto: T4140570
Classificação de conteúdo: seguro

SOU NORMAL



SOU NORMAL
Ysolda Cabral


Não tem jeito vou morrer boba
Tudo me encanta, sensibiliza
E também revolta
Não paro quieta nesta selva

Procuro coisas belas em tudo que vejo
Do amanhecer ao anoitecer
Muitas encontro
E me fazem arrefecer... Enternecer

O menino no semáforo
Limpa o vidro do carro
Recebe um trocado
E agradece escondido
É tão bonito

Minha hortelã que sobrevive
Mesmo me esquecendo dela
Sou ela

O Mar tão agredido
Sofrendo, suplicando um alívio
E mesmo assim tão lindo

O sorriso de minha filha,
A cada manhã, meigo e belo,
Sou dela

As minhas mãos
Cansadas que não param
E os meus cabelos brancos coloridos
Acho o máximo

A minha cara... O meu sorriso...
Eu gosto, acho sensacional
Por vezes não, isto é natural

Será que sou normal?

**********

Obs.:  Na foto, com os amigos e colegas de trabalho Tê Lima e Irapuan Cavalcanti, no último dia 08.02.2013 - Bloco do Amocrea. Foi o máximo!

Recanto das Letras em 14/02/2013
Código do texto: T4140129
Classificação de conteúdo: seguro


MEU EPITÁFIO ( OU TESTAMENTO?)




MEU EPITÁFIO  (OU TESTAMENTO?)
Ysolda Cabral

 
Se eu morrer mais tarde ou amanhã
Não quero que ninguém fique triste - Eu vivi!
E, vivi completamente tudo o que quis
De verdade, ou através do sonho
E, assim, fui muitas vezes feliz

Comigo não levarei nada
Entretanto, deixo minha poesia
Espalhada pelos quatro cantos
E, se alguém se dispuser a corrigir sua rima
Não vou me incomodar
Nunca dei importância a isso
Somente para o que estava sentindo

Deixarei o meu perfume
Em cada hortelã graúda
Que você encontrar
E, se, em noite sem aconchego
Tiver um pesadelo
Com vento ou sem vento
Meu perfume lhe acordará

Deixo também o Mar
Que sei, nunca foi meu
Contudo, quando nele mergulhava,
Com certeza ele era meu
Sim... Só meu!

Quanto ao meu violão,
Há muito num canto esquecido,
Faça de conta que é seu
Lustrado e com cordas novas
Quem lembrará que foi meu?

E, assim ele fará companhia
A qualquer apaixonado
Pela música e pela vida
Toda noite e todo dia

Logo, sorria!
 Ele é seu!
Quem diria?!

O meu corpo?
Ao pó voltará independente do lugar
Então tanto faz ficar aqui ou acolá
E ao deixá-lo, esqueça
Não sou eu quem ficou lá

Fiquei em tudo que deixei
E que acabo de contar
Portanto, me aproveite bem
Pois se em vida não o fez
É, enfim, chegada à vez.
**********
Recanto das Letras em 14/02/2013
Código do texto: T4139771
Classificação de conteúdo: seguro

MÁGICO PÔR DE SOL



MÁGICO PÔR DE SOL
Ysolda  Cabral


O olhar no infinito do nada,
Passa pra gente a inutilidade
Dos enfeites, como um rio sem vida.

Conceito do belo é elo pra enganos,
De sonhos vãos que, na medida do tempo,
Simplesmente destroi quaisquer planos.

Querer mudar  tudo isso é impossível!
E o entardecer da vida se faz presente,
Em cada pedacinho da gente.

O olhar continua lá...
Lindo! Lindo!
Preso ao mágico Por do Sol,
Na espera de uma linda noite calma. 

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Recanto das Letras em 14/02/2013
Código do texto: T4139744
Classificação de conteúdo: seguro

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

NÃO ERRE



NÃO ERRE
Ysolda Cabral 


Num toque leve
Me leve
Não me peça
Me pegue
Não me solte
Me abrace bem forte
Não se inquiete
Não pergunte se quero
Eu quebro
Não se ausente
Se dê de presente
Você quer e sente
Não demore
Não deixe que eu chore
Venha logo
Pelo ar
Pelo mar
Pelo solo de um violão
Ou numa linda canção
E me acorde
Não tenha medo
De acordar um vulcão
Seja breve
Contudo não erre
Não me esnobe
Seja nobre
E admita:
O amor dita
E sempre tem razão.

SE EU FOSSE FLOR



SE EU FOSSE FLOR
Ysolda Cabral 


Se eu fosse flor
Para não sentir tristeza e dor
Margarida eu não seria
E se fosse me esconderia
Independente de ser par ou ímpar

Nascida em jardim ou sacada
Ou até em beira de estrada
Margarida é sempre  despetalada
Sem dó ou consideração

Seu perfume não encanta
Sua beleza  é  morte certa
Independente da sorte
Satisfatória ou não

Pra que ser Margarida
Flor bonita e nascida
Só para ser destruída
Sem nenhuma explicação?

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Recanto das Letras em 13/02/2013
Código do texto: T4138572
Classificação de conteúdo: seguro


QUARTA-FEIRA DE CINZAS





QUARTA-FEIRA DE CINZAS
Ysolda Cabral


Quarta-feira de cinzas...
Sem fantasia, sem tela e sem tintas
Para colorir o preto e branco da vida
Hoje despida das mentiras, das  liras...

Quarta-feira de cinzas...
Sem sonhos, sem objetivos
Estou  aberração mal feita
Sorriso de careta me espreita
Coisas da Natureza...

Quarta-feira de cinzas...
De um carnaval que passou,
Vestido de beleza e poesia,
E, novamente,não me levou!

Outros carnavais virão
E mesmo que, de novo, não me leve
Ficarei bem,posto que, se a vida é breve,
Minha vontade não é não.

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Recanto das Letras  em 13/02/2013
Código do texto: T4137789
Classificação de conteúdo: seguro

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

MUNDO FANTASIA




MUNDO FANTASIA
Ysolda Cabral 


Estou com a mente atordoada
Com a alma magoada
O coração descompassado
E em total desarmonia

O sonho ainda persiste
Por pura teimosia
Contudo a lucidez escoa
Em grande agonia

Porque a tristeza me assola
Em pleno meio dia?
Quem me valia?

A culpa é só minha
Fui inventar um mundo
Que só em mim existia!

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Recanto das Letras em 12/02/2013
Código do texto: T4136856 em 12/02/2013



COMO SAIO DESTA FESTA?



COMO SAIO DESTA FESTA?
Ysolda Cabral 


Se o ritmo for acelerado; eu acompanho.
Se for lento; vou adorar.
Se for mais ou menos; fico inquieta.
E mesmo me compenetrando, me controlando,
Sei que paro e vou embora.

Se o ritmo for romântico e espontâneo,
Não necessariamente “caliente”,
Todavia solto, sincero e recheado de carinho...
Eu danço a vida inteira; mesmo que ela seja feita,
Apenas de um minutinho.

Entretanto, não dites regras!
O salão é todo nosso...
A orquestra executa músicas belas.
Você está lindo e eu - claro - mais ainda!
Do que mais precisa para me levar
Na doce e suave música que está a nossa espera?

Escute!
Agora é só silêncio...
A música parou... Acabou...
Que pena!

A orquestra foi embora,
As luzes; apagaram...
No escuro não lhe acho.
E agora; como saio desta “festa”?

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Recanto das Letras em 12/02/2013
Código do texto: T4136744

CARÊNCIA





CARÊNCIA
Ysolda Cabral 


Suspirando de saudade,
De um amor nada efêmero e empírico,
Exclusivamente no sentido filosófico,
Entreguei-me a devaneio declarado.

O botão de rosa laranja pálido,
Estático, esquálido,
A minha frente no jarro,
Parece um quadro.

- Que triste!

Sem vida e sem perfume,
Sem alegria e sem perspectiva...

O jarro eu destruo.
E os meus sonhos?

- Você existe?!

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Recanto das Letras em 12/02/2013
Código do texto: T4136719 


CALMA



CALMA
Ysolda Cabral 


Calma... É preciso calma...
Há alguma coisa no ar.
Sei que há!

Há um frio de morte,
Congelando e quebrando os ossos,
Nos impedindo de sonhar.

Há uma revolta contida,
Há uma dignidade atingida,
Há uma plenitude de vida,
Com esperança perdida...

Há uma lágrima teimando em cair,
Há um sorriso triste e fingido,
Há um desejo sofrido, contido,
E o controle se esvaindo...

Há uma gota de orvalho,
Explodindo...
Há um carrasco,
Punindo...
Há uma ferida,
Se abrindo...

A paciência...
Esgota-se,
É a chegada da hora,
Ficando abençoada...

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Recanto das Letras em 12/02/2013
Código do texto: T4136694 

TERÇA-FEIRA CINZA



TERÇA-FEIRA CINZA
Ysolda Cabral



E finalmente a máscara é retirada;
A inútil fantasia jaz num canto jogada.
Os pés, nus dos tênis ou sapatilhas,
Dão um tempo pra seguir outras trilhas.

O vazio trazido pelo cansaço faz chorar;
A realidade é pesadelo ruim de acordar.
Penso em você, sinto saudades e me calo
Atendendo ao teu pedido: silencio...
Sei o quanto vales...  Sei o quanto valho.

A esperança de felicidade? O amor? A alegria?
Foram-se ladeira abaixo e não era de Olinda
Sem bloco, sem música e sem mais poesia
Deixando, apenas, uma tristeza infinita.             

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Recanto das Letras em 12/02/2013
Código do texto: T4136243
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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

CARNAVAL E FRUSTRAÇÃO



CARNAVAL E FRUSTRAÇÃO  
Ysolda Cabral      
 

Carnaval festa alegria,
De muita energia,
De muita fantasia,
Com ou sem alegoria.
Que maravilha!

Carnaval tempo enganador,
Ilude o pobre sofredor,
Que pensa ser um feliz folião,
Mas é ator na sua própria invenção.
Armadilha!

No seu faz de conta infantil,
Reza o credo e freva a mil.
E lá se vão um, dois, três dias
De pura e encantadora magia.
Com ou sem sapatilha!

Na quarta-feira de cinzas:
Cansaço e embaraço,
Se conseguir chegar vivo,
Do sonho vivido de fato.
Muita dor na panturrilha...

Os amores encontrados,
Não serão lembrados.
E os beijos roubados,
Já estarão perdoados.
Coloca-se a mantilha...

Festa medonha é o Carnaval.
Tudo parece tão bonito e espetacular!
Mesmo não tendo nada de real.
Eu fico triste de não participar.
Contudo, meu sangue fervilha... 

Recife-PE
06.02.2013





Pois é! Cá estou de volta do '' Quase que fui'' .
Lá não estava animado, nem tão bom e nem tão lindo.



Recanto das Letras  em 06/02/2013
Código do texto: T4126530
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