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quinta-feira, 14 de março de 2013

" O SOM DA VIDA"



“O SOM DA VIDA” 
Ysolda Cabral



Estou como orvalho na pétala da flor, me protegendo do sol e do vento, fazendo da lira motivo pra viver.  Sem muito ter para esperar, uma vez que os sonhos são devaneios impossíveis e que, " o Andar do Tempo" é implacável, vou vivendo dia após dia, sem mais ilusões, sem planos e sem objetivos.

Creio estar precisando de silêncio até na escrita...  Tudo me deixa aflita, inquieta, agoniada e a sensação de desencanto dita as novas regras... Já não suporto barulho de espécie alguma. As buzinas dos carros, no trânsito “engarrafado”, me alucinam. - Não sei por que as pessoas buzinam tanto quando o trânsito está parado!Tenho pra mim que é uma maneira de gritarem: Hei! Estou enlouquecendo! Quero sair daqui! Anda aí! Anda depressa! Vaiiii!!!!

Não percebem que isso só piora?! Mas, enfim...

Nessas ocasiões minha procura pelo silêncio se intensifica e me empenho obstinadamente nessa procura. Porém, não o encontro. Por vezes um pouco dele surge na madrugada e me envolve exatamente quando,  o sono chega de mansinho e não me permite desfrutar um pouquinho dele. Seria ciúme?  Ah, o ciúme...!

Na realidade, neste momento, queria o barulho das ondas do Mar e/ou escutar, novamente, o som das minhas artérias carótidas, levando sangue ao meu cérebro, advindo do meu coração em sístole, especificamente. Que coisa espetacular! O som da vida é incrivelmente belo. Completo o escutei dentro da minha barriga, em sístole e diástole, há exatos vinte e dois anos, retumbando o ‘’TUM... TUM’’ do mais belo tambor, do meu mundo encantado, o qual dei o nome de Yauanna.

A ela, minha vida, todo o meu amor!

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Recanto das Letras
Em 14/03/2013
Código do texto: T4187665

quarta-feira, 13 de março de 2013

SILÊNCIO REVELADOR




SILÊNCIO REVELADOR
Ysolda Cabral

 
Silêncio reticente... Não gosto.
Diga o que sente, fale logo!
Não desconverse, argumente.
Antes que de vez eu me ausente.

Silêncio da noite... Depende!
A noite sempre surpreende.
Convém ter cautela... Ouça,
Pense, pese... Sou meio louca!

"É tão calma à noite,
A noite é de nós dois..."
Nem sempre, nem sempre!

E com Céu de Estrelas,
No firmamento de bocas;
Cuidado! Muito cuidado,
Para não se perder no Espaço.

Um Espaço silencioso, aconchegante.
Mas, afinal, o sonho de qualquer pessoa,
Não seria ver a Lua de perto?  E ela...
Azul, linda! Bem abaixo de nossos olhos,
A Terra?

Ah, silêncio que não aprende nada!
Nem a silenciar a respiração apaixonada,
Que, na expectativa do beijo, faz zoada
Revelando sem pudor a nossa alma.


Recife-PE
13.03.2013
Apenas Ysolda

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Recanto das Letras
Em 13/03/2013
Código do texto: T4186498 

segunda-feira, 11 de março de 2013

MEU CASTIGO




MEU CASTIGO
Ysolda Cabral


Trilhas sem sinalização,
Contando com a sorte
E duvidosa intuição;
Sigo a ermo. Sem norte!

O Tum,Tum atrapalhado,
Entretanto, em paz de fato,
Segue comigo viagem,
Levando pouca bagagem.

Sem descanso, sem guarida,
Vou trilhando a minha trilha,
Mais retrocedo que avanço,
Porém, não temo e me lanço.

Numa peleja desigual,
Vez em quando paro, reflito,
Concluo que meu castigo,
É mesmo ser Ysolda Cabral

Recife-PE
11.03.2013
Apenas Ysolda 

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Recanto das Letras
Em 11/03/2013
Código do texto: T4183053 


domingo, 10 de março de 2013

NUM DIA DE DOMINGO




NUM  DIA DE DOMINGO
Ysolda Cabral 



Vivi inusitado e lindo sonho. Não sei exatamente se dormindo ou acordada posto que, da realidade perdi a noção. Noção esta, talvez perdida desde o momento em que fui concebida. Sentindo o amor tomar conta de mim de forma tão intensa, deixei de ser eu. Atordoada, atrapalhada, me vi dentro do labirinto do abstrato, lugar vazio,  onde os cinco sentidos não existem e simplesmente me perdi de mim, desaparecendo como absurdo do nada. Em algum momento, se é que existe momento num lugar assim, acordei ou, finalmente,  dormi no colo de uma paz infinita. Hoje,  sem saber de onde vim e nem para onde vou, estou na mais perfeita desordem, porém, cônscia de que a felicidade e o amor dependem  apenas de nós.

Ao som de Antonio Maria e Dolores Duran 
 ( Clara Nunes e Paulo Gracindo)  
Nesta parte (IV) o poema mais belo de Antonio Maria, o qual gostaria de ter composto.

http://www.youtube.com/watch?v=-Wq9NHbYiF4


CÂNTIGO NEGRO
Antonio Maria

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!"

segunda-feira, 4 de março de 2013

SEM DEPOIS





SEM DEPOIS 
Ysolda Cabral 


Comoventes laços
Lágrimas brindam
A solidão a dois

Sobre a cidade
O Céu deságua
Ameaça a Vida

Sem depois.


Recanto das Letras
Em 04/03/2013
Código do texto: T4171784


DESASSOSSEGO



DESASSOSSEGO
Ysolda Cabral



A canção que escuto agora,
É a canção da chuva que cai lá fora.
Sem sentir o cheiro da terra molhada,
Sinto-me triste, desassossegada...
Mesmo não tendo medo de trovoada!

No peito uma angustia comprimida,
Lembra-me o tempo de menina
Que, precocemente amadurecida,
Abriu mão dos sonhos e  fantasias,
Fingindo alegria...

Esquecendo as brincadeiras de criança,
As histórias de contas de fadas, as tranças,
O encantamento de se sentir apaixonada,
E seguiu  o caminho ao encontro do nada.
Tantas lágrimas...!

Entretanto, a Vida é surpreendente e engraçada,
Adora brincar com a gente, somente pra dar risada.
Agora me faz pensar novamente menina,
Que ama e se sente muito amada.
Ou, será que estou enganada...?


Recife-PE
04.03.2013
Apenas Poesia

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Recanto das Letras
Em 04/03/2013
Código do texto: T4171471

domingo, 3 de março de 2013

ODE À SOLIDÃO




 ODE À SOLIDÃO
Ysolda Cabral


Sem lençol... Poeira sorrindo!
Nota musical Sol... Um dia lindo.
Solidão e tristeza pariram o dia,
Não há alegria no ‘’ Espaço da Ilusão. ’’

Nascimento, sem circunspecção...
Sem moderação, sem reflexão,
Sem objetivo, sem amor e sem paixão.
Tantas horas de silêncio exaustão,
Muita dor, perplexidade e mais solidão...

Da noite, ou do dia... Não rio, não ria!
Do não aconteceria eu sentia, eu sabia
Confesso:  até queria... 
Eu queria... Mas, querias a ousadia,
E, tudo, desapareceu sem explicação.

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Foto Yauanna
Praia de Tamandaré – PE
03.03.2013 


sábado, 2 de março de 2013

AGORA CHEGA!




AGORA CHEGA!
Ysolda Cabral


Apenas um segundo...
Ou num milésimo de segundo,
O mundo gira e destrói a lira!
Não há Cabral, não há Real que aguente,
Ou, pague o conserto de um sonho partido.
Faz parte da vida o desconserto, o desacerto!
Eu sei, tu sabes, ele sabe e nós sabemos.
O desencontro, desencontrado de sentimento;
Não é bom, não é do bem!
Alegria, tristeza, tristeza, tristeza e somente tristeza!
Nada de sorriso, leveza e nem de beleza.
Agora chega!
Sonho verdadeiro? É tolice é besteira!
Advindo de um só... É asneira!
Olha! É madrugada de domingo...
Vou me benzer e pedir a Deus proteção,
Para que o dia que ora inicia,
Sem o canto dos pássaros,
Sem o perfume de hortelã e sem violão,
Num silêncio que indigna, alucina e desencanta;
Não me  traga mais nenhuma ilusão.  


Recife-PE
03.03.2013
Numa madrugada insone


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RL em 03/03/2013
Código do texto: T4168710

sexta-feira, 1 de março de 2013

EU QUERIA LHE DIZER




EU QUERIA LHE DIZER...
Ysolda Cabral


Eu queria lhe dizer...
Você de mim sentiu  saudade,
Quase endoidou de verdade,
Quando cogitou me perder.

Eu queria lhe dizer...
Que cada verso seu
- Mesmo que  negue -
Eu sei que ele é meu.

Eu queria lhe dizer...
Que não adianta negar
Sei que  vives a sonhar,
Com nosso  amanhecer .

Eu queria lhe dizer...
De  todo o meu coração,
Que o meu amor é canção,
A espera de você. 

Recife-PE
01.03.2013
Apenas Poesia

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Inspirada no  '' QUERIA TE DIZER ''  de Odir Milanez (Oklima)
Para ler o soneto é só clicar no link abaixo:

http://www.recantodasletras.com.br/sonetos/4165260


terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

NO AZUL DO CÉU




NO AZUL DO CÉU
Ysolda Cabral

  
No azul do Céu hoje eu vi:
A serenidade pretendida,
A luminosidade refletida;
Voltei a ser menina.

No azul do Céu hoje eu vi:
Monstro verdade e mentira,
Sendo vencido pelo Vento;
Senti-me segura e tranqüila.

No azul do Céu hoje eu vi:
Um especial e perfeito dia.
Seu sorriso sorrindo comigo,
Compondo poesia.

No azul do Céu hoje eu vi:
Um encontro acontecendo,
A luz de puro sentimento.
Aquele que sonhei. Eu vi!

Mas, você não está aqui...
O azul escureceu,
O dia anoiteceu, me entristeceu,
O Céu sem termo a ermo ficou.
O mundo em mim desabou.



Recife-PE
26.02.2013
Apenas Ysolda
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Recanto das Letras
Em 26/02/2013
Código do texto: T4160774

domingo, 24 de fevereiro de 2013

DOCE REALIDADE




DOCE REALIDADE
Ysolda Cabral

A música é linda...
Estranhas, estranhos;
Somos... Estamos...

O silêncio é preenchido
E o vazio do nada toma forma,
Toma cores, toma brilho.
Linhas tortuosas e difíceis, eu trilho.

Que ninguém venha comigo!
Essa trilha é minha.
E nela sigo até quando for preciso!
E quando tiver que parar,
Descansarei nalgum lugar...

Onde tenha apenas flores de verdade,
Perfumadas e eternas em suavidade,
Para que através delas, só delas,
Eu possa encontrar a PAZ procurada,
Esquecendo o sonho, a poesia...
E, finalmente, viver doce realidade.

Recife/PE -24.02.2013
Apenas Ysolda 

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sábado, 23 de fevereiro de 2013

PLACAS DE SONHO



















PLACAS DE SONHO
Ysolda Cabral


Vê! Preste atenção!
Não se deixe levar pela emoção,
Impressão, opinião, sugestão...

Não crie expectativas;
Se deixe leve e leve a vida,
Com suavidade e sensatez.
Tudo há de ficar bem...
Outra vez!

Não ligue pro acaso, ocaso.
Vazio é nada!
Destino, se ecoa no vácuo,
Ninguém faz caso.
O problema é apenas teu!
Mas, nem tudo é exato.
E o que é que tem?

Sempre foste só, lembras?
A solidão nunca te assustou!
E, para que serve a companhia
De cabeça usada pelo vento,
Sem alma e sem sentimento
Que nada de si tem há dizer?

Deixa estar! Tudo há de mudar.
Criaste um sonho e  te embriagasse.
Não é verdade?                                     

Mas, nada de pânico!
Muda o foco, o rumo...
Pé no pó do caminho!
Contudo, foges das placas
Indicativas de sonho.
                                          
 Recife/PE 
 21.02.2013
Apenas Poesia   

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Recanto das Letras 
Em 21/02/2013
Código do texto: T4151800

SEM PERDÃO



SEM PERDÃO
Ysolda Cabral
                                         

Em eterno conflito com a vida,
Por não aceitar tanto absurdo,
Vou seguindo meu destino e luto,
Pra não a considerar bandida.

Sigo lutando com unhas e dentes.    
E, pra não perder a doçura, nem a fé;
Vou afirmando que não mentes,
Nas juras juradas à mulher. 

Mas, de mãos em prece anoiteces,
Pedindo perdão dos pecados, 
Os quais todos os dias cometes.

Sonhando com o perdão rogado,
Dormes pesadelo sozinho.
E, pecas, mal o dia amanhece.


 Recife-PE
20/02/2013
Apenas Ysolda

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Recanto das Letras
Em 20/02/2013
Código do texto: T4150011

PLUMA AO VENTO



PLUMA AO VENTO
Ysolda Cabral


Esqueci os dissabores,
Estou pluma ao vento,
Sobre belas flores,
Em bailado lento.
Assento... 

Raios de sol,
Eu e minha mente.
Ideias precisas e claras,
O horizonte se alarga,
Na tarde linda e quente.
Estou feliz, estou contente.

Deixo-me embalar, flutuar.
Sem pressa de parar, de chegar.
Não há lugar que queira ir!
Pensei, pesei, medi, decidi:
Eu só quero estar aqui.

Respirar o perfume das flores,
Colorir-me com suas cores,
Esquecer os vendavais,
Deste e de outros carnavais,
Sem mais ais...

Acreditando no porvir,
Sou breve, sorrio leve,
E deixo a poesia
Tomar conta de mim.
Simples assim.

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Recife-PE
18.02.2013
Apenas Ysolda 

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Recanto das Letras 
Em 19/02/2013
Código do texto: T4148702