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quinta-feira, 5 de junho de 2014

EU QUERIA UM BEIJO







EU QUERIA UM BEIJO
Ysolda Cabral


Você me pediu um beijo, é bem verdade!
Um beijo molhado de sorriso... Do meu jeito.
Mas quem precisava era eu do seu beijo.
E você não percebeu... Que atrocidade!

Agora fico aqui , demais desiludida.
Insone, e o coração cheio de dor, 
achando que o melhor de meu amor
é coisa tresloucada e descabida...

Ô Poeta cantor! Preste atenção:
Você responde àquilo que cativa.
Custava dar-me um beijo de antemão?

Sequer você se deu à iniciativa
de me beijar amor no coração,
para que nele a chama sobreviva!

**********

Praia de Candeias-PE
Maré de Indignação
Noite de 04.06.2014

segunda-feira, 2 de junho de 2014

HORA DA AVE-MARIA



HORA DA AVE-MARIA
Ysolda Cabral


A música faz companhia,
na hora da Ave Maria.
Agradeço por nós, perco a voz.
Sinto-me sozinha.
Hoje isso dói!

Ah, esse Mar que avisto!
Onde andará o meu amor?
Saberá como me sinto?
Por que divago quando rezo?
Cadê minha oração, meu verso?

Ave-Maria!
Perdi-me de mim...
Pecadora confesso:
Sou o que resto...
Sem poesia e sem rima,
sou amor e espera.

Ave-Maria!
Rogando perdão pela oração,
me despeço confiando que a noite,
não seja escura e nem fria,
que ela me traga de volta a alegria
nessa hora da Ave-Maria.


Praia de Candeias-PE
02.05.2014
ysolda

O MEU LUGAR



O MEU LUGAR
Ysolda Cabral 


Com a sensação de fracasso,
um aperto no peito era meu estado
ao chegar de manhã na cidade grande
com saudade da vida que havia deixado.

Um riso chorando no rosto estampado,
a cara escondia o meu medo de fato!
Mas diante do Mar, de um azul deslumbrante,
entendi que comigo me havia encontrado.

Em meu peito um tambor embalando o encantado,
retumbando as batidas do vento aventado,
fez-me fonte de festas no encontro vibrante
com o mar, que mandou-me das ondas o abraço...

Hoje não choro remorso ou fracasso!
Choro alegria em acordar ao seu lado,
com o som de suas ondas fascinantes,
independente do tempo ou espaço.

*****

Praia de Boa Viagem-PE
Em 01.06.2014
Por que hoje é domingo


domingo, 25 de maio de 2014

VESTIDA DE AZUL



VESTIDA DE AZUL
Ysolda Cabral


De azul do dia me visto com esmero,
cobrindo toda a nudez do desespero.
Sorrio à Vida, sem mágoa ou receio
de ser para ela apenas um meio...

De azul do Mar me banho, me benzo e rezo.
A brisa não me enxuga ... Orvalhada, peco.
Desfruto do prazer e perdão eu peço,
sentindo tristeza de ser só, não nego.

A noite chega de mansinho...
Chega do canto dos passarinhos!
Nada mais sonho, quero... Só peço
para parar de morrer aos pouquinhos.

De azul do dia me visto com esmero...
Nada espero! 

Praia de Candeias-PE
Em devaneios poéticos
Porque hoje é sábado
17.05.2014

quinta-feira, 22 de maio de 2014

SEM NADA PRA FALAR



SEM NADA PRA FALAR
Ysolda Cabral


Nunca falei das flores
Nunca falei das cores
Nunca falei das dores

Nunca falei do amor
Nunca falei do rancor
Nunca falei do sabor

Nunca falei da saudade
Nunca falei da cidade
Nunca falei da verdade

Nunca falei da tristeza
Nunca falei da beleza
Nunca falei da leveza

Mas... Ganhei
E mais flores dei
Das mais variadas espécies
Rosas, Margaridas,
Girassóis, Orquídeas
E Bem-Me-Queres

Algumas pra festejar
Outras pra enxugar lágrimas
Sentidas e doídas

Senti os louvores
Aprimorei as escolhas
E grandes emoções não vivi

Senti saudades
Passando por ruas,
Vilas e cidades
Olhando apenas a beleza
Sentindo as dores com clareza
De um infinito, único
E insubistituível amor
Amor pela VIDA.

sábado, 10 de maio de 2014

SOU MATUTA NATA




SOU MATUTA NATA
Ysolda Cabral 


Estou agora só...
Triste, insegura e com medo.
Coisa danada de esquisita...
Dominada por um sentimento que abomino!

Há muito para fazer...
Não me importo e me deixo vencer.
Pergunto-me por que,
E, eu mesma respondo:
Quem vai saber!

Se eu nem sou eu, neste momento,
Então o medo está perdendo seu tempo
E eu jogando fora o meu lamento.

Ah! Como queria estar longe daqui...
Nalgum lugar a beira de um lago, ou na mata
Afinal nasci no interior e com orgulho assumo:
Sou matuta nata.

Aqui nesta cidade,
Só escuto o canto dos pássaros de madrugada.
O galo não canta avisando que a aurora é chegada.
Chove e não sinto o cheiro da terra molhada.
Afinal, o que faço nesta terra ingrata?

**********

Praia de Candeias-PE
No silêncio da madrugada
Revirando o baú 
09.05.2014



PARA NÃO PERDER ARQUIVOS




PARA NÃO PERDER ARQUIVOS
Ysolda Cabral


Do nada retrato a cena,
sempre por um acaso.
Com ela retratada, analiso,
e acho tudo tão engraçado!

Bobagem espalhada, por vezes,
causa um dano danado!
E como nunca me engano,
melhor deixar este item de lado.

Se tiro fotos ou componho uma canção,
acabo recebendo de ''presente'' um vírus...
E lá se vão todos os meus registros!

A essas alturas, convém
voltar à velha Kodak,
à boa e eficiente máquina IBM,
ao papel ofício, lápis grafite,
caneta bic, carbono, uma caixa de clips...

Sempre é útil uma borracha,
um corretor líquido,
uma fita adesiva,um grampeador,
um perfurador e pastas ''AZ'' de A a Y.

Munida de tudo isso,
garanto um arquivo seguro,
limpo de todos os ''bichos'',
com índices que até assino em baixo:


**********
Publicas do Recanto das Letras 
Em 06.05.2014

TAÇA DE VINHO BRANCO



TAÇA DE VINHO BRANCO
Ysolda Cabral


Madrugada de domingo,
a taça é de vinho branco.
Chorando e sorrindo,
sei que vou seguindo...

A cada doce gole,
um brinde à dor da saudade
e à blindagem que ora visto,
contra toda maldade.

Com misto de tristeza,
sinto o giro... E giro, e giro...
Pela vez primeira:
Sei que estou bêbeda!

Bêbeda e anestesiada! Admito.
Finalmente sinto pelo domingo
completa indiferença.
É isso!

**********

Praia de Candeias-PE
Em amanhecer de ressaca 
04.05.2014 


sexta-feira, 25 de abril de 2014

RESTOS DE BRIGADEIRO



RESTOS DE BRIGADEIRO
Ysolda Cabral


Há tempo sobrando desperdício no espaço.
Motivo de tristeza, desencanto, enfado.
Num descuido a realidade vem à tona,
verdades doridas nos põe na lona.

Há tempo sobrando desperdício vasto.
A poesia perde a leveza e se inflama,
o dia perde o colorido e parece gasto.
Clamo à paz e ao amor, suas chamas

para que o caso, revelado no acaso,
não cause tanta dor ou desengano,
nem extinga o entendimento do laço.

E o tempo no espaço eu somo
e mais uma decepção eu traço,
com os restos do brigadeiro que como.

**********

Praia de Candeias - PE 
Em ressaca de festa
5a. Feira - 24.04.2014


segunda-feira, 21 de abril de 2014

SESSENTA ANOS, EU?!





SESSENTA ANOS, EU?!

Ysolda Cabral




A dois dias do meu aniversário de 60 anos me sinto estupefata com toda essa idade sem que eu a perceba. Não consigo nem vê-la através do espelho – mesmo quando o espelho é confiável e nem mesmo quando alguém, por puro despeito ou farra, diz não estar me reconhecendo! Contudo, resolvi que doravante vou passar a contar a minha idade em ordem decrescente e no próximo aniversário farei cinquenta e nove. E assim sucessivamente. Logo estarei nos vinte desta vida ou de outras, se elas existiram pra valer. Pronto! Agora que está tudo definido, projetado, aprovado e com certificado de validade garantida e por tempo indeterminado, posso ir direto ao ponto.

O fato é que, hoje, 20.04.2014, domingo, pra variar, não é um domingo qualquer. É DOMINGO DE PÁSCOA, e daqui a dois dias estarei completando sessenta anos.

- Que coisa incrível! Incrível porque continuo com os mesmos planos, os mesmos sonhos, e muitos sorrisos ainda tenho pra sorrir, eu sei. Não vou desanimar agora, só porque estou no meio do caminho de algum lugar. Ora, se o “Tambor do Encantado’’ continua retumbando só amor, o fato de precisar de um beta-bloqueador nada quer dizer. Quanto à minha irrequieta alma - contagiada pela minha alegria, pelo meu entusiasmo de garota apaixonada pela vida e feliz com ela -, resolve me dar um tempo e me deixar curtir esse momento. Com todos os sentidos em pleno funcionamento, que mais posso querer?

Hum... Ah! Quero um bolo de chocolate, quero brigadeiro, quero flores e compor muita poesia. Quero minha família por perto e quero nesse dia gritar ao mundo que sou feliz, que não estou nem aí para a idade, muito menos para as ‘’garras do tempo’’, pois o que importa, e sempre importou para mim, é essa que sou por dentro e que continua sendo a mesma de sempre.

Diante do exposto e colocado sem pressão, sem depressão e sem pretensão, lembro: ‘’ Se sou assim, muito feliz/ é meu destino que sempre quis/vivo a cantar, brincar também/ só uma coisa, vou confessar/não gosto muito de...”

Bom, como não gostei da rima, Alírio Cabral, mesmo ela sendo verdadeira (ou pelo menos era), vou dizer que o verso da canção que você fez para mim quando ainda era uma menina feia pra danar (a foto ilustração não me deixa mentir), terminou assim: “não gosto muito de arengar.” (Risos)

Bom, chega de abobrinha e vamos aos preparativos para a grandiosa festa!!! 

Praia de Candeias-PE
Em preparativos de festa 
20.04.2014

domingo, 6 de abril de 2014

SÁBADO NO CASSINO DO CHACRINHA


SÁBADO NO CASSINO DO CHACRINHA
Ysolda Cabral



Já o meu sábado qualquer foi um dia muito, muito atarefado. Não descansei um só minuto desde as oito da matina. Por volta das dezoito parei, tomei um banho e exausta me joguei no novo e confortável sofá com saudades do meu velho e fofo sofá.

Quase sem conseguir acionar o controle remoto da TV a cabo, fui parar no canal Viva e dei de cara com o Cassino do Chacrinha na telinha! Nossa, que surpresa!

Deliciei-me com a volta no tempo... Que programa alegre, divertido!

Ouvi belas canções! Revi tantos ídolos! Tim Maia – ainda não tão gordo; Fábio Júnior – lindo de morrer. Kátia, cantando Roberto; Simoní e Jairzinho - ainda bem meninos - cantando Michael Jackson. E a energia contagiante do Leon Jaime! Que bárbaro! 

Ah! e os calouros? Que beleza de calouros a levarem buzinadas numa boa.

Morri de rir com as tiradas do velho guerreiro. E a distribuição dos brindes? Chaveirinhos, feijão, pepino, cenoura, a mandioca da Maria Bethânia quem vai querer, quem vai querer, perguntava ele e todo mundo respondia eu, eu , eu! Tanta alegria, tanta descontração!

No júri adorei rever a Elke Maravilha. A Claúdia Raia, que em nada mudou, também estava de jurada. Ah! E a Monique Evans, de cabelos pretos e curtinhos. Que linda! Que linda!

Foram duas horas de muita música, muita alegria, muita poesia, muita beleza, muita cor, muita luz, muito som e muita saudade de um tempo que não volta mais...

Esqueci o cansaço, porém o sono chegou... 

**********


Publicado no Recanto das Letras em 05/04/2014
Código do texto: T4757836 
Classificação de conteúdo: seguro

COMO SE FOSSE UM SÁBADO QUALQUER...


COMO SE FOSSE UM SÁBADO QUALQUER...
Odir Milanez



Como se fosse um sábado qualquer
e me escutasse a voz dos violões,
para você cantei velhas canções,
cantigas consagradas à mulher.

Sem para a vida, à volta, olhar sequer,
cantei, curtindo primas e bordões,
polarizando as nossas emoções,
sabendo meu de amor esse mister.

De repente, a manhã hasteia a hora.
As nuvens nebulosas vão embora.
O sol, senhor das chuvas, mais não quer.

Beijando o celular, beijo-lhe a boca.
Desligo e ligo o som do rádio, rouca,
como se fosse um sábado qualquer...


JPessoa/PB
05.04.2014
oklima

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Sou somente um escriba
que escuta a voz do vento
e versa versos de amor...

quinta-feira, 3 de abril de 2014

DIA SEM SOMBRAS




DIA SEM SOMBRAS
Ysolda Cabral


No silêncio hostil do ambiente,
aguço todos os sentidos.
Atenta ao incoveniente,
preparo-me para dirimir mitos.

Ah, espíritos malditos!
Como podem ser tão resistentes
à luz de um dia tão bonito?
Ainda os verei banidos...

Hei de ver!

Há de acontecer do dia anoitecer
livre de sombras de mau agouro,
quando os bocejos serão de sono
e lágrimas não serão de abandono.

É em um dia assim que te quero aqui,
para nunca mais sentirmos dores!
E se te fores, com ou sem flores,
irei contigo para onde tiveres que ir... 

Praia de Candeias
Em ondas de devaneio
03.04.2014



IMPOSTO SOBRE A RENDA



IMPOSTO SOBRE A RENDA
Odir Milanez


Eu peço ao meu amor que compreenda
de meu drama o caráter aflitivo,
os dias meus mirando um só motivo:
esse maldito Imposto sobre a Renda!

Para evitar com o Fisco uma contenda
dos meus parcos acérvulos me privo.
Apesar de você, para quem vivo,
meu coração, que é seu, vou por à venda.

Porém, para vendê-lo, inda é preciso
obstruir dos lábios seus o arquivo,
solapar o sensor de seu sorriso.

Fico só com o ventrículo afetivo
onde avivo sua vida, onde a diviso,
pois sem você, amor, não sobrevivo!...


JPessoa/PB
02.04.2014
oklima

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Sou somente um escriba
que escuta a voz do vento
e versa versos de amor...


terça-feira, 1 de abril de 2014

SEM CANSEIRA



SEM CANSEIRA
Ysolda Cabral


Ei, psiu! Façam algazarra!
Que o dia amanheceu sem canseira,
surpreendente por ser segunda-feira,
muita farra deve ser liberada.

Cantem bastante, antes de voarem,
troquem de árvore, saltitem cem,
duzentas, mil vezes, se precisarem!
Brinquem, cantem bastante e vão além.

E antes que a tarde caia, voltem!
Voltem para os seus ninhos,
eles estarão intactos e quentinhos,
a espera de todos vocês, Passarinhos!

E, se algum, porventura, não retornar,
não se entristeçam e nem se preocupem!
Quem não retornar, encontrou o lugar
perfeito pra definitivamente repousar...

Nada de silêncio e nem de choradeira!
Conversem com todas as Lavandeiras,
elas saberão como fazê-los entender,
que tudo na vida pode e deve acontecer...

Ei, psiu! Façam algazarra...

segunda-feira, 31 de março de 2014

HELZINHO E AMADA



HELZINHO E AMADA
Ysolda Cabral


O sábado amanheceu lindo, perfeito para fazer um programa diferente com a namorada... Animado, cheio de planos e muito feliz, Helzinho, deu um pulo da cama, pegou o celular e ligou para Amada:

- Prepare-se, rápido! Vamos pescar! Chego aí em 20 minutos.

Preguiçosa e sonolenta, Amada ficou na dúvida se Helzinho havia mesmo ligado ou se ainda estava dormindo, sonhando... 

Logo se pôs a cismar daquela novidade: pescar. Pescar?! Continuou na dúvida se sonho, se realidade ou se toparia o convite...

Pouco depois chegou o "pescador", cheiroso como ele só, fazendo o coração da namorada ter certeza de que por aquele gato faria qualquer coisa. Bem, nem tudo!...

- Estás pronta?
- Deixa só eu botar um maiô. Pode ser que dê n'água... - Sorriu sozinha da própria piada. Helzinho só tinha olhos para a vara e a caixa de iscas em seu colo. Varei!

Não sei dizer em que mar se deu a pescaria. O que sei é que logo após o primeiro lance, passado nem um minuto, um peixe foi fisgado pelo anzol de Helzinho, envergando a vara e lhe rasgando o grito:

- Eita, que peguei o bicho! E é dos grandes, minha amada! Agora vai ser com você!

Um alarme foi acionado na cabeça de Amada, que dormia, tranquila, sossegada, sonhando uma suculenta garoupa degustada à beira-mar, em um bar na praia de Candeias. Correndo as contas, considerou: "Tratar de peixe, fedido que nem ele só, tirar-lhe as escamas, abrir-lhe a barriga e limpar aquilo tudo? Depois temperar e por no fogo pro almoço?! Nem morta! Preciso acordar!É um pesadelo!".

E quando Helzinho, depois de muita luta, conseguiu finalmente cansar o enorme peixe e trazê-lo à superfície, nem sinal de Amada no barquinho de pesca.

Triste e decepcionado devolveu o peixe pra água, quebrou o anzol e nunca mais quis saber de pescaria nenhuma.

Hoje, depois de muitas brigas e desentendimentos, quando ele quer comer peixe leva a namorada para um bom restaurante e que não tenha cheiro de peixe fresco.

- Quem mandou ensinar Amada o nado de longa distância! 

E uma vez que foi assim, entrou pela perna do pinto e saiu pela do pato. Seu rei mandou dizer que... Mandou dizer o que mesmo? Não lembro mais! Hahahahahahaha

ONDE ESTOU





Tentando seguir os passos do meu Poeta preferido...

ONDE ESTOU
Ysolda Cabral

Onde estou?
Estou num espaço vazio...
Vazio sem som.
Às vezes, até bom!
Há luz e muito amor...

Como pode?
- Alguém pergunta.
Eu respondo:
Pergunta ao amor!

Onde estou?
Estou num espaço fechado,
pequeno, escuro, pesado,
jamais imaginado,
ilhado, molhado de dor...

É assim que estou!
- Alguém pergunta:
Quem?
Eu respondo:
Eu!
Que hoje sou apenas dor...

Onde estou?
Estou sozinha...
Sozinha com amor?
Como pode ser assim?
- Alguém pergunta.
Eu respondo:
É assim que hoje sou!

Onde estou?
Estou sofrendo, chorando,
perdendo cada restinho de vida
que nem vi, mas já passou...

Praia de Candeias-PE
Em 29.03.2014
ysolda

SORRISO NUNCA MAIS






SORRISO NUNCA MAIS
Ysolda Cabral


O sorriso não sorrir mais.
Entristeceu, desapareceu
num céu de estrelas sem brilho,
pra chorar lágrimas sentidas,
pelo beijo de amor que nunca deu.

O sorriso, sem motivo pra sorrir,
se juntou ao nunca mais.
Se sorrirá outra vez?
Não. Nunca! Jamais.
O amor lhe enganou, lhe fez sofrer.

Levou-lhe os sonhos mais bonitos,
deixou-lhe versos lindos, mas doridos
pela dúvida quanto à sua inspiração...

Ah, sorriso que vem do coração!
És tão franco e tão tolo!
Quem mandou sorrires pra versos
lindos, perfeitos, de português erudito,
se eles não nasceram pra ser teus?

*****
Praia de Candeias - PE
Em reedição
18/03/2014

*****

sexta-feira, 28 de março de 2014

ENTRE NORTE E SUL




ENTRE NORTE E SUL

Ysolda Cabral




Lá chove forte...
Perdi completamente o norte! 
Aqui o Sol fere a terra...
Nas placas tectônicas não há setas.

As suposições são vastas...
No peito a dor alarga!
Aquieto-me a espera da sorte...
A angustia é de morte.

Estou no Norte...
Tenho que ir para o Sul onde chove!
Aqui o Sol não fere só a terra...
A hora é incerta!

Há felicidade. Adote
E a tenha como meta!
Eu, que não tenho dote,
Sei que nada resta...

**********

Recife-PE
Em 27.03.2014
Ysolda


quarta-feira, 26 de março de 2014

TRÂNSITO - JUSTIÇA SEJA FEITA




TRÂNSITO – JUSTIÇA SEJA FEITA
Ysolda Cabral



Andei escrevendo várias matérias sobre o caos que é o trânsito no Recife, principalmente quando a Prefeitura da Cidade resolveu colocar nas ruas ''guardinhas'' de trânsito. Meu Deus, que confusão eles faziam! E os apitos? Pense num inferno sonoro! Eu chegava no trabalho azoretada, atordoada, com a cabeça ecoando apitos ensurdecedores. Passei a deixar o carro em casa e apelei para o transporte público, pra ver se diminuia o meu estresse, fato que me rendeu maravilhosas crônicas de situações vivenciadas no trajeto, casa/trabalho/casa.

Entretanto, comecei a perceber a diminuição dos apitos e dos congestionamentos. Voltei a usar o carro. Claro que o trânsito continuava lento em horários de pico, e ainda continua. Porém, a verdade é que os ''guardinhas'' estão fazendo um excelente trabalho e está a prefeitura de parabéns.

Hoje, por exemplo, saí de Candeias um tantinho atrasada e, se não fosse pela moça casadoira que transitava a pé pela avenida, em ritmo cadenciado - ela pra um lado e o bum-bum pra outro - fazendo o ''guardinha'' esquecer completamente o ofício, eu teria chegado na hora.

Não o culpo, de jeito e maneira! A garota é que não devia desfilar, tão cedo da manhã, com tão manhosos maneios. Que coisa!

Recife-PE
Sem estresse
Em 25.03.2014