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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

LIGA NÃO! ELA É POETA





LIGA NÃO! ELA É POETA.

Ysolda Cabral

O Sol pairava soberano sobre todas as coisas lá fora. Ao sair, constatei que, além de estar lindo, ele estava quente como nunca o senti assim em minha pele. A princípio gostei! É que estava numa sala com uma central de ar-condicionado que gelava até os ossos. Coisas de extremos nunca dão certo... Eu sempre soube disso.

Em questão de minutos, procurei uma presilha na bolsa para prender os cabelos. Encontrei-a mas não consegui prendê-los e o fato me exasperou: "Por que diabos corto os cabelos e por que diabos eles crescem tão rápido?"

O Vento, por sua vez, ressabiado com o Sol a lhe deixar fervendo, resolveu se juntar à presilha e me dificultar a vida no meu quase meio dia. "Parece até brincadeira! Que coisa medonha!"

Joguei a presilha fora e peguei um diadema. Eu sempre os trago comigo para as emergências - coisa de quem mal cortou os cabelos e eles já estão crescendo, totalmente sem corte e sem jeito. Mas ao tentar colocá-lo ele se partiu em dois.

A essas alturas estava em tempo de ter um ataque... E, com mais de meio caminho andado, pensei em voltar.

Voltei foi no Tempo! Aos 23 anos, com um cabelo abaixo da cintura, num dia assim, sem presilha e sem diadema, mandei um dos mais badalados cabeleireiro do Recife me livrar do incômodo e ele, todo prosa, mandou ver. Saí de lá quase sem cabelo, além de falida para alguém que ganhava muito pouco, enquanto ele, com certeza, ganhara uma peruca nova para cobrir a careca que brilhava sob a luz dos lustres... 

Bem feito pra mim! Lembro que meu cabelo passou uma eternidade para crescer novamente. 

Neste ponto de minhas recordações aleatórias, cheguei à conclusão de que tudo estava em sentido contrário àquilo que deveria ser. Ou seja: meu cabeleireiro de agora, deveria ter cortado os meus cabelos naquele tempo e o daquele tempo deveria te-los cortado agora... 

Sorrindo do pensamento, entrei no restaurante de todo o dia. O pessoal, desconcertado e surpreso com o meu estado de desalinho e exasperação, perguntou se eu estava bem. 

Claro que eu estava bem, a não ser pelo meu cabelo! Contudo, não respondi... Achei mais prudente guardar os meus pensamentos para mim mesmo. 

Foi quando escutei alguém falar: 



- Liga não! Ela é poeta!







Recanto das Letras 
Em 23.01.2014 
Código do texto: T4662266


SEM SINAL




SEM SINAL
Ysolda Cabral


Nada de Oi!
Claro, não quero saber!
Vou agora contar Tim por Tim Tim:
Estou com a paciência no fim.
Apelar? Pra quê? Pra quem?

Ah, como matar a saudade,
Como dizer do amor que sinto,
Como brindar tudo isso,
Com um serviço tão ruim?

Ah, Que Deus nos acuda!

A Internet também não dá sinal!
Acho que isso não é normal.
Elos são perdidos no espaço virtual!
Que desencontro fenomenal!

Mas não faz mal...
Vou apelar pros Correios e Telégrafos!
Antes, vou fazer alguns protestos...
Já está chegando o Carnaval!

Que tal telepatia?
Tem tudo a ver,
Comigo e com você!
Cruzes, acho que vou morrer!

Ah, que tal o Rádio Amador?
Agora sim! Criei ânimo!
YLCA chamando o seu amor
YLCA chamando o seu amor...
Câmbio!


Recife-PE
23.01.2014
ysolda

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

O SERESTEIRO DUBLADOR



O SERESTEIRO DUBLADOR
Ysolda Cabral



Ainda não estava pronta para dormir quando, de repente, escutei alguém cantando uma canção desconhecida, porém linda e muito, muito romântica. Não havia acompanhamento, mesmo assim o seresteiro trovador não desafinava e fazia da canção uma maravilhosa declaração de amor jamais por mim ouvida.

- Estaria sonhando?

Corri para janela do meu quarto. Não havia ninguém! Mas a voz eu continuava a escutar como se ela estivesse bem junto a mim. Deixei-me ficar sonhando ser namorada... E inesquecíveis momentos vivi, sentindo-me perdidamente apaixonada.

Sem saber explicar o que acabara de acontecer, comecei a lembrar, com saudades, do tempo em que o homem, para conquistar o coração de uma mulher, enviava-lhe flores e lhe fazia serenata - algumas até encomendadas, quando o enamorado não sabia cantar.

Recordo que alguém fez uma serenata para mim, certa ocasião. Fiquei tão feliz, tão encantada que, no dia seguinte, ao receber seu belo ramalhete de rosas vermelhas, acompanhado de um bilhetinho que dizia: "Minha deusa, quer ser minha namorada?", bambeei nas bases! Quase morri de tanta emoção, apesar de não ter gostado muito do ''minha deusa''. Mas tudo bem.

Três ou quatro dias depois, ao sair do colégio, desta feita sem a companhia de minha irmã mais velha que adorava tomar conta de mim - e ainda adora - vi que ele estava à minha espera. 

- Meu Deus do Céu! Como ele era lindo e como eu tremia de emoção!

Veio até mim e bem à minha frente disse: "Minha deusa, posso te acompanhar?"

Instantaneamente a tremedeira passou, a lindeza dele sumiu e o amor, que ainda não havia nascido, morreu...

Para um seresteiro trovador, ele falava fino demais e era um tremendo gasguito. E o perfume dele, que o Vento me soprou todo satisfeito e debochado, era terrível!

Sem lhe dar resposta, desviei-me dele e segui meu caminho.

Eu, hein! 

Recife-PE
Em 22.01.2014
Vendo passarinho
(Em sentido vigurado) 



Recanto das Letras em 22/01/2014
Código do texto: T4659922 
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segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

ENTARDECER SUSSURRANTE



 

    
ENTARDECER SUSSURRANTE
Ysolda Cabral


No silêncio da tarde de domingo,
escuto sussurros em meu ouvido.
Quase não percebo as palavras,
sei que elas vêm da pessoa amada...

Faço-me meio surda, mais dengosa,
achego-me mais um pouquinho,
somente pra ganhar mais carinho.
E ele me abraça forte...

Sussurrando de volta lhe rogo:
Repete! Estou meio surda, meio tonta...
É que amar demais entontece!
E ele repete e me enlouquece...

Abraço-lhe ainda mais apertado e aguardo...
E ele sussurra de novo: “Eu te venero!”
Mas me desintegro quando ele diz: "Eu te amo".
Meu Deus! Como é belo!


Praia de Candeias/PE
19.01.2014
ysolda


SEJA BEM-VINDO!




SEJA BEM-VINDO!
Ysolda Cabral
                      
       
 Negar o amor que sinto...
Como fazê-lo?
A saudade que dilacera o meu peito
como hei de negar?

Dizer que você não existe
como, se você está em mim?
Seria o mesmo que negar  ser  hoje  sábado
e que amanhã não será domingo... 
Há possibilidade?

Dizer que tudo fica mais bonito
quando você se declara num verso tímido,
é o mínimo para um carinho imediato.
O contrário seria blasfêmia
ou seria uma estúpida mentira.

A  mentira eu abomino,
renego veementemente!
Por isso afirmo com toda certeza:
O meu sorriso é tudo isso,
somente pra tornar seu mundo
 mais inspirado e mais bonito.
Seja bem-vindo, meu Poeta amado!

Praia de Candeias/PE
18.01.2014

ysolda

domingo, 19 de janeiro de 2014

UM ADEUS À ZEFINHA


UM ADEUS À ZEFINHA
Ysolda Cabral 


Num final de semana de muita paz e poesia, apesar da saudade da filha, ora baiana, acabo de receber uma notícia triste: a morte da ‘’Zefa Triana Cabral de Siqueira’’ a Zefinha. Cachorrinha poodle da minha irmã Yara, que era de todos nós. Morreu e já está no Céu de cachorrinhos correndo atrás das borboletas, nos jardins celestiais, tenho certeza. Coisa que não fazia há muito tempo.

Ela estava muito velhinha. Não enxergava, não escutava, não latia; quase não se mexia e nem vivia a sua vidinha de cachorrinha que ama, apenas continuava sendo amada e acho que nem se dava conta.

De certa forma fiquei aliviada com a notícia. É que eu sofria muito ao vê-la naquele estado. Tanto que, certa ocasião, sugeri à minha irmã a eutanásia pra nossa cachorrinha. Claro que ela não concordou e até ficou muito chateada comigo.

Mas afinal, ela se foi... Se foi de fato.. 

- Que tristeza! Que tristeza!

Lembro que, ainda ontem, Yauanna me passava na cara o fato de não ter lhe dado nem um irmão, nem um cachorro e nem um gato...

Bom, o irmão eu realmente lamento não lhe ter dado, mas o cachorrinho e/ou gato, não lamento não! 

Dói muito quando se vão!

Já basta o sofrimento da perda dos entes queridos... É isso!


Praia de Candeias-PE

19/01/2014

Noite silenciosa e triste 


quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

O PSIU É DE AMARGAR





O PSIU É DE AMARGAR
Ysolda Cabral



- Ei, psiu!

Parei, olhei para um lado e para o outro, não vi ninguém. Continuei o meu caminho.

- Psiu! Botichãozinhoooo...

Epa, epa, epa, epa!... Calma, Ysolda! Muita calma nessa hora. Não é com você não, viu?

Não deve ser comigo mesmo! Estou bem legal! É só não me pesar e nem me olhar no espelho de perfil. Vai que eu veja barriga, bumbum e eu no meio?

- Eu, hein! Que pensamento mais sem noção! To fora!

Até os 30 anos mantive o peso em 54 kg. Aos 40, fui rápido para os 64 kg., porém só depois que parei de fumar. E desde que entrei na casa dos 50, estou que nem balão desgovernado, mas não quero pensar nessas bobagens!

- Psiu! Ei, botijãozinhoooo.. Psiuuuuuu!...

Imediatamente, olhei pra tudo que foi lado. Não vi ninguém. Também estava cega de raiva!

De repente, na outra calçada, vejo uma moça meio redondinha, falando ao celular com alguém que, pela sua cara de felicidade, devia ser o namorado.

- Nossa, que alívio!

Mas, vamos e convenhamos que, o ''PSIU'' é mesmo de  amargar!...

Agora que tudo estava devidamente esclarecido, respirei aliviada, lembrando precisar fazer uma sobremesa para o final de semana. Neste instante, o pensamento, tendo vontade própria, observou: você fez check-up há pouco tempo e o médico disse que os resultados dos exames foram ótimos. Entretanto, ele manteve o remédio para a pressão, o beta-bloqueador e fez algumas recomendações...

- Psiu! Psiu! Psiu!!! Ei, botijãozinhoooooooo !!!

Disposta a acabar com a festa do engraçadinho, abruptamente parei e, no impacto da parada, caí da cama...

- Que noite tumultuada!

Acho que estou precisando de um Sonho de Goiabada e uma coca zero - pra dar o equilíbrio.




Recanto das Letras  em 16/01/2014
Código do texto: T4652217 
Classificação de conteúdo: seguro

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

NÃO ESTAMOS SÓS




NÃO ESTAMOS SÓS
Ysolda Cabral



Depois de uma noite extremamente calma e repousante, sem sonhos e sem pesadelos, acordei disposta, feliz e cheia de planos para o dia. Calmamente, e só um tantinho preguiçosa, me levantei e alonguei me olhando no espelho. Gostei do que vi! Gostei de verdade. Sorri para mim e corri para não perder a hora de ir trabalhar. Se ficasse de lezeira isso iria acontecer. Não me incomoda perder nada, até porque muitas perdas são ganhos extraordinários e que nos levam a relevantes aprendizados para a vida e para o nosso próprio crescimento. Entretanto, perder a hora para algum compromisso eu não me perdoaria. Não é coisa boa e nem aconselhável.

Saí de casa com tempo suficiente de espreitar o dia lindo, e, como o mês é de férias, com trânsito tranquilo, cheguei antes da hora. O expediente correu normal, sem nenhuma dificuldade maior. Almocei no mesmo horário, no mesmo restaurante e na minha companhia de sempre e de todo dia.

Durante o almoço liguei para minha filha – a essas alturas doida pra ser bahiana – e conversando, entre sorrisos e lágrimas de saudades, me dei conta do quão rápido ela cresceu.

De repente fiquei triste... Me senti tão só!

Respirei profundamente, sacudi a cabeça para afugentar pensamentos desagradáveis e foi então que senti um Vento, vindo não sei de onde, acariciar os meus cabelos.

Eu não estava só!


Recife-PE
Em 15.01.2014
Hora da sesta

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Recanto das Letras 
Em 15/01/2014
Código do texto: T4650626 
Classificação de conteúdo: seguro

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

CAMINHOS DA ALMA




CAMINHOS DA ALMA
Ysolda Cabral


Ao ritmo do pensamento vou escrevendo as emoções que envolvem a minha alma. Emoções essas que a fazem, muitas vezes, querer sair pra resolver as coisas a seu modo. Como isso não depende de mim, vou tentando controlar suas vontades da melhor maneira possível.

Entretanto, quando durmo, desconfio que ela se aproveite e saia pra dar umas voltinhas.

Esta noite, depois de fazer minhas orações - na realidade conversas com Jesus - me deitei sentindo uma paz infinita, apesar de estar só uma vez que, minha filha está turista, na Bahia de Todos os Santos, desde a semana passada.

Bom, embalada pelo suave murmúrio do Mar, o qual sorria ondas de acalanto, adormeci.

De repente me vi caminhando por uma desconhecida estrada de terra, com árvores frondosas nas duas margens, as quais se encontravam, através de suas copas, formando um imenso túnel. Meio confusa e um pouco temerosa do desconhecido, até porque era noite e a claridade da Lua pouco iluminava o caminho, relutei em prosseguir.

Parei e quis retornar, mas senti que alguém me acompanhava - não sei exatamente quem, talvez meu Anjo de Guarda - e ele me dizia para nada temer e continuar a caminhada. Foi o que fiz.

Pouco depois, acordei com a alma fatigada, porém com a sensação de um enorme bem-estar.

Como ainda não era hora de levantar e compreendendo que, todos os caminhos que surgem diante de nós precisam ser percorridos, para que possamos chegar ao verdadeiro caminho da Luz, sorri feliz e me deixei outra vez adormecer.

Afinal minha alma, além de merecer um bom descanso, merecia também uma medalha, pelo avanço que para nós acabara de conquistar.

E, pronta para mais caminhadas, ficamos.


Recife-PE
Em 13.01.2014
Apenas reflexão 


Recanto das Letras em 13/01/2014
Código do texto: T4648043 
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sábado, 11 de janeiro de 2014

VIVAS À VIDA!


VIVAS À VIDA!
Ysolda Cabral


Acabo de acordar... Sinto-me leve, tal qual pluma ao vento breve que ao passar não causa estrago e nem desalento. A claridade do dia, ao amanhecer nublado e de clima ameno, dá-me a certeza que existo para viver uma realidade que me apraz. Banir sonhos fantasiosos e impossíveis de realizar, até no imaginário dos versos daquilo que chamava de minha poesia - uma poesia, manca, desconjuntada, porém verdadeira em cada momento meu - será o meu objetivo doravante.

Quem não tem competência, não se estabelece! Já dizia a minha filósofa bisa Mamana...

Pois é! A ficha demorou a cair, mas caiu... Fui lentinha quando o assunto era poesia. Agora estou alerta no trato das tramas e artimanhas da vida real e vou aproveitar para revitalizar a minha alma das tatuagens feitas em devaneio.

Posso até ser muitas de mim, sendo uma só e filha de Deus, como todos quando sonha felicidade e, a cada engano, se desencanta. Só que ao entristecer, eu choro, praguejo, mas sorrio, canto, danço ao ritmo das raivas que logo passam. – Aí está uma característica que não é de todo mundo... Não sei se é defeito ou qualidade, entretanto gosto de ser do jeito que sou. - Não penso mudar.

Nunca guardei mágoa e nem rancor. Nunca senti ódio no meu coração e a minha alma, apesar das tatuagens, continua íntegra e pura. Apenas, às vezes, quer se libertar....

Então lhe digo: Calma! Tudo tem o tempo certo.

E o tempo agora é de sorri, cantar, dançar, comemorar... Afinal, estou viva e com o coração repleto de amor verdade pela Vida que, hoje, se apresenta clara, plácida , límpida e linda como nunca vi.

Vivas à Vida!

Recife-PE
Em 11.01.2014
Num sábado nublado,
Mas de luminosidade ímpar.

*********

Recanto das Letras em 11/01/2014
Código do texto: T4645336 
Classificação de conteúdo: seguro

domingo, 5 de janeiro de 2014

SEM DIZER ADEUS





SEM DIZER ADEUS
Ysolda Cabral


Sem dizer adeus, lá vou eu...
De encontro ao Vento insistente
a contar segredos que não quero ouvir.
Eles podem confundir! 

Sem dizer adeus, lá vou eu... 
Em frente e sem destino, 
sem bússola e sem documentos. 
Pra onde eu vou não preciso deles. 
Ah, retiro de mim! 

Sem dizer adeus, lá vou eu... 
Em busca da paz tão sonhada. 
Longe do mar confuso de emoção 
que ondeia apenas a solidão. 
Respiro meditando a imensidão... 

Sem dizer adeus, lá vou eu... 
Sem olhar para trás, 
sem dizer mais nada.  
Não é preciso! 
De convicção eu me visto... 

Sem dizer adeus, lá vou eu... 
Fixo o olhar no infinito... 
Sei... O meu coração é chama 
de amor sem grande importância... 
Apagará quando eu dormir! 

Sem dizer adeus, lá vou eu... 
Sem sorrir, sem chorar... A(h), mar! 
Deixei tudo nos umbrais! 
Há flores violadas nas ondas verticais... 
Aqui não volto nunca mais. 

Sem dizer adeus, lá vou eu... 


sábado, 4 de janeiro de 2014

POR DE SOL - VERSÃO ANO NOVO


POR DO SOL
Ysolda Cabral


Suavemente vou levando a vida
Sem ira
Suavemente vou inventando a lira
Sem rima
Suavemente vou sentindo a dor
Do amor
Suavemente vou contando as horas
Sem medo
O dia já vai morrer
Não ligo
Outro dia irá nascer
Lhe espero.

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Candeias- PE
Em 04.01.2014
Versão Ano Novo


Recanto das Letras em 04/01/2014
Código do texto: T4636198 
Classificação de conteúdo: seguro

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

AMOR NASCITURO




AMOR NASCITURO
Ysolda Cabral


Pra viver um grande amor
Quis espinhos despir para ser apenas flor
Mas o amor não me entendeu
Em nenhum aspecto me atendeu
E antes mesmo de nascer ele morreu

Desencontrado no tempo e no espaço
Atrapalhado por corrente desamparo
Condenado a ser sozinho em cada passo
O maior amor da minha vida
Antes mesmo de nascer morreu de fato

Quando agonizante de esperança se enchia
Remédio equivocado sempre era o ministrado
Não sei se de propósito, mas isso acontecia
O maior amor da minha vida
Antes mesmo de nascer morreu de fato

Não houve chegada pra ter boas-vindas
Ainda nascituro foi compelido ao aborto
Depois jogado pra ser pisado na avenida
Sem atesto, registro ou despedida

O maior amor da minha vida
Antes mesmo de nascer morreu de fato.


Candeias-PE
Em 03.01.2014
Apenas Poesia

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Recanto das Letras

Em 03/01/2014
Código do texto: T4635711 
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APENAS REGISTROS


PRA POSTERIDADE
Ysolda Cabral 

Eu, estúpida e boba a sonhar,
Não ser nenhuma louca,
Quando pensei amar...

[ Meta para o ano novo:]

Nunca mais endoidar.


Para o poetrix ''Póstero'' na Escrivaninha Facuri

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ANO DE 2013 - ESTADO TERMINAL
Ysolda Cabral 

Apesar de ter me feito chorar,
Muito mais que sorrir... Bem aqui!
Sentirei saudades ao lembrar,
Dos sonhos que não vivi.

Para '' Boletim Médico'' na Escrivaninha J Coelho:


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SONHO
Ysolda Cabral 

Sonho de amor é semente de ilusão,
fecunda apenas tristeza e solidão,
traz drama e pranto ao coração.

Sonho de amor?
Quero mais não!

Para a trova ''SONHO'' na Escrivaninha Zemari.



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Recebo, honrada e agradecida a interação de um dos maiores poetas do Recanto das Letras, Jacó Filho, acolhendo-a como parte dos meus pensamentos.


04/01/2014 08:41 - Jacó Filho

Choro se for de alegria...
Por amor, choro contente,
E guardo tudo em poesias... 



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Recanto das Letras em 03/01/2014
Código do texto: T4635414 
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LEDO ENGANO






LEDO ENGANO
Ysolda Cabral


Para não sofrer tanto,
Com bastante cuidado,
Fui apagando uma a uma,
As marcas do nosso passado.

Comecei rasgando cartas,
E cada uma que eu rasgava,
Outra aparecia mais apaixonada.
Mas eu não me intimidava!

Rasguei todas, uma a uma...
Não deixei nenhuma pra contar história!
Respirando aliviada e satisfeita,
Comecei a destruir os poemas.

Depois vieram os discos, os livros.
Até as revistas de Walt Disney,
Que líamos juntos dando risada,
Nas tardes de sábados e domingos.
Decidida botei tudo no lixo.

Por incrível que pareça,
Tive pena de botar na fogueira,
Os almanaques do Recruta Zero.
Achava ele o máximo da cabeça fresca!
Até hoje me arrependo da asneira.

No final de tanto trabalho,
Achando ter tudo acertado,
Lembrei que estava com quinze anos,
E o meu mundo eu já tinha acabado.

Ledo engano!
Ele apenas havia começado.


Candeias-PE
Em 03.01.2014
Clima de recordações 


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Recanto das Letras em 03/01/2014
Código do texto: T4634747 
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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

ONDE HÁ BELEZA



À minha filha Yauanna 



ONDE HÁ BELEZA...
Ysolda Cabral


No sorriso da criança,
Que sorrir ao lhe fazerem careta;
Há beleza!
No orvalho da manhã,
Feliz na sua curta existência;
Há beleza!
No canto dos pássaros,
Coral naturalmente afinado;
Há beleza!
No verso da palavra amiga,
Fazendo a diferença na poesia
E na estrada da vida;
Há beleza!
Na mão que afaga,
Sem pedir nada em troca;
Há beleza!
Na fragilidade da flor,
Inconsciente da dor ;
Há beleza!
Na humildade sincera;
Na generosidade concreta;
Há beleza!
Na capacidade de perdoar,
Quem nunca soube o que é amar;
Há beleza , há grandeza!
No porte elegante e discreto da minha filha,
Ao brindar o primeiro dia do ano;
A beleza é infinita.


Candeias-PE
Em 02.01.2014
Plena de Paz.


Recanto das Letras
Em 02/01/2014
Código do texto: T4633555 
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quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

MENSAGEM NO 1º DIA DO ANO



Mensagem no 1º dia do Ano


Para encerrar o primeiro dia do meu bebe Dois Mil e Quatorze, divido com vocês um pensamento de Hermógenes que diz exatamente assim:

“A única dor verdadeira – eu.
Apenas um verdadeiro mal – eu.
Só uma cruz eu vejo – eu.
A mais desgraçada de todas as distâncias – eu.
Não há outra doença senão – eu.
Quem usurpa minha ausência? – eu.
Fragilidade, conflito, neurose são – eu.
Os grilhões que alimentam são feitos de – eu.
Mas, o que mais admiro, a quem mais sirvo,
alimento e defendo, ainda, infelizmente, é – meu eu.
Este é o drama de todos os homens. “



Boa noite, meus queridos amigos! 

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Recanto das Letras
Em 01/01/2014
Código do texto: T4633121 
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O MAIS NOVO FILHO DO TEMPO


O MAIS NOVO FILHO DO TEMPO 

Ysolda Cabrall



Como um bebe de apenas onze horas, Dois Mil e Quatorze ainda dorme, embalado pelo canto dos pássaros e pelo murmurinho das ondas do Mar o qual, sorrir feliz, adornado de flores recebidas pela mãe Yemanjá.

O dia vestido de azul, com raios de sol distribuídos de forma harmoniosa e uniforme, está lindo e me faz admitir que para ser feliz basta querer. 

E, em sendo assim, torna-se evidente que a felicidade não depende de ninguém, muito menos de um Novo Ano, filho do Tempo de tantos filhos iguais, apenas diferenciados pelos resultados, em função da maneira de como foram conduzidos.

Diante de tal dedução, concluo que, finalmente, serei feliz e saberei conduzir os primeiros passos, do mais novo filho do Tempo, com paciência, firmeza, sabedoria e coragem para que, a sua evolução se faça em alicerces sólidos para a felicidade plena e não mais dúbia, ilusória, de raros e avariados momentos, tão decepcionantes e enganosos a maioria deles.

A partir de agora, tomarei o Ano Novo pela mão e, sem olhar para trás, seguirei de cabeça erguida para o horizonte de Luz que nos aguarda.

E eis que, finalmente, às 11:h40m, o bebe acorda e com muita fome!

- Que alegria! 

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Recanto das Letras em 01/01/2014
Código do texto: T4632600 
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